Nos últimos anos, grandes empresas de tecnologia como Meta, OpenAI, Google e Anthropic passaram a permitir o uso militar de suas ferramentas de IA, revertendo posições anteriores contra a militarização dessa tecnologia. Esse movimento reflete a crescente importância do financiamento estatal e a inserção do setor de tecnologia no complexo militar-industrial, impulsionados por interesses geopolíticos e econômicos. Até meados dos anos 2010, o consenso de Silicon Valley promovia a globalização digital, a mínima regulação e a cooperação com a China, buscando expansão econômica e tecnológica. Porém, esse consenso se desfez diante da competição geopolítica crescente, dando lugar a uma divisão entre empresas que mantêm a visão globalista e um novo setor conservador que prioriza a segurança nacional e o nacionalismo tecnológico. Essa nova realidade envolve maior integração entre tecnologia e estatal, investimento em defesa e rivalidade com a China, alterando profundamente a dinâmica entre o capital tecnológico, o Estado e a ordem internacional. O futuro tecnológico se configura como uma luta entre globalização neoliberal e uma visão bipartidária de conflito geopolítico.
Fonte: https://www.wired.com/story/book-excerpt-silicon-empires-nick-srnicek/
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